Lembranças malditas e mal-educadas
Encontraram esse papel traidor e subornaram a tinta...
Lembro-me então que a gente era um só. E bastava.
Poeira e pó, fumaça e neblina. Solidão sempre acompanhada.
Soneto sem rima, mas poesia.
Poesia que buscou a métrica e se perdeu na busca,
Sozinha.
Hoje estás longe. Dos meus bem-quereres
E do meu próprio mal-me(te)-quero.
Viajas pelos caminhos mais tortos
Que eu não sei alcançar, nem quero.
Desististe de usar o sábio peito pra pensar
E agora só sabes usá-lo pra engolir e soprar
Mentira.
Ficção induzida. Alegria comprada.
Penso: quem me dera ser de novo a tua erva mais fina,
Pra temperar essa tua história sem ar, sem gosto,
E te queimar no abraço quente daquela nossa vida...
Mas já tens outra, barata, mentirosa e fria
E dizem que ela tem te feito feliz,
Ainda.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O que se pode ser
Silêncio. Faça silêncio.
Minha vaidade precisa descansar em paz.
A sua paz, paciência.
Faça o que eu quiser,
O meu grito mudo no seu ouvido não mudará.
Pode enlouquecer calada.
É poder pelo poder, poder não moderado.
Injusto? Sinta apenas.
E engula à seco, pro meu agrado.
Nem tente produzir saliva pro que não será escutado,
E não pense que a tinta no papel trará resultados.
Sinto muito. Sinto nada.
A cinta que te prende não será censurada.
Aceite a surra. Fique feliz amarrada.
Depois volte pra casa, chore escondido
E amanheça conformada.
Mas por favor, seja um nada.
Minha vaidade precisa descansar em paz.
A sua paz, paciência.
Faça o que eu quiser,
O meu grito mudo no seu ouvido não mudará.
Pode enlouquecer calada.
É poder pelo poder, poder não moderado.
Injusto? Sinta apenas.
E engula à seco, pro meu agrado.
Nem tente produzir saliva pro que não será escutado,
E não pense que a tinta no papel trará resultados.
Sinto muito. Sinto nada.
A cinta que te prende não será censurada.
Aceite a surra. Fique feliz amarrada.
Depois volte pra casa, chore escondido
E amanheça conformada.
Mas por favor, seja um nada.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Oração de Agosto
Vejo o mesmo pó do passado
Nos meus móveis novos de cada dia,
E esse mês com cara de limpeza
Vem querendo varrer meus desgostos,
Anunciando uma mudança de gostos,
Um novo tempo, tempo de ventania.
E não há como enterrar o que ainda vive,
O que, estando em mim, também sou eu,
Pois mesmo ensanguentado,
Empoeirado e despedaçado,
Um coração lento ainda é um coração,
E não deve nunca ser jogado no lixo
Nem debaixo da terra largado.
Cremamos então nossos fantasmas vivos,
Pois nem essa terra ingrata os mereceria.
Abramos todas as janelas, deixemos o vento
E novos aromas invadirem o lar,
Ainda que o novo também venha um dia
Feder esse maldito e ingrato enxofre
Que agora nosso inverno finda.
Acendamos os fogos, busquemos calor.
Paremos de conservar velhos corpos no gelo.
O que nos resta é jogar as cinzas pro ar
Ou, novamente, pra debaixo dos tapetes.
Não importa.
Cada um sabe a limpeza mais adequada
Depois que um cadáver deixa a própria casa.
Mas, que não deixemos o fogo de lado, jamais.
Amém.
Nos meus móveis novos de cada dia,
E esse mês com cara de limpeza
Vem querendo varrer meus desgostos,
Anunciando uma mudança de gostos,
Um novo tempo, tempo de ventania.
E não há como enterrar o que ainda vive,
O que, estando em mim, também sou eu,
Pois mesmo ensanguentado,
Empoeirado e despedaçado,
Um coração lento ainda é um coração,
E não deve nunca ser jogado no lixo
Nem debaixo da terra largado.
Cremamos então nossos fantasmas vivos,
Pois nem essa terra ingrata os mereceria.
Abramos todas as janelas, deixemos o vento
E novos aromas invadirem o lar,
Ainda que o novo também venha um dia
Feder esse maldito e ingrato enxofre
Que agora nosso inverno finda.
Acendamos os fogos, busquemos calor.
Paremos de conservar velhos corpos no gelo.
O que nos resta é jogar as cinzas pro ar
Ou, novamente, pra debaixo dos tapetes.
Não importa.
Cada um sabe a limpeza mais adequada
Depois que um cadáver deixa a própria casa.
Mas, que não deixemos o fogo de lado, jamais.
Amém.
Culpa falsa
Naquela clichê hora
Chorei todo o meu álcool
E jurei querer morrer
Sem nem saber por quê.
Sem sequer me sentir
Verdadeiramente culpada,
Vi-me naquela mesa de bar
Patética, abandonada.
E quem me acusava?
No fundo sou sempre eu.
Sou eu a maior culpada
Pelas culpas que me são dadas.
Chorei todo o meu álcool
E jurei querer morrer
Sem nem saber por quê.
Sem sequer me sentir
Verdadeiramente culpada,
Vi-me naquela mesa de bar
Patética, abandonada.
E quem me acusava?
No fundo sou sempre eu.
Sou eu a maior culpada
Pelas culpas que me são dadas.
sábado, 2 de julho de 2011
Catando paixão
Distraída.
A minha vida apresentou-se toda na minha frente
Em forma de mil pedaços.
Tantos grãos inseparáveis,
Que precisavam ser analisados um a um.
Tentei ver em cada um daqueles pedacinhos
Uma nova possibilidade,
Analisava com cuidado e atenção,
Mas cada grão que eu puxava em minha direção
Trazia inevitavelmente um pouco de você.
Difícil separar passado e presente,
Impossível selecionar a memória.
Saudade.
De repente ouço:
- Filha, acorda, preciso ainda hoje do feijão!
Sim, meu amor também existe nos feijões.
E então o entreguei para que minha mãe cuidasse.
Logo mais ele será servido a pessoas,
Que por mais que me amem,
Irão mastigá-lo todo, sem sequer pensar no que estão ingerindo.
É sempre assim.
O amor nunca é devidamente apreciado.
O meu também não.
Sei que a minha melancolia estará no cardápio de hoje,
E ninguém sabe.
Tempero mais forte que o sal,
Salgado em lágrimas.
Uma lágrima.
E acabei esquecendo-me de avisar minha mãe
Que independente do que ela faça
Hoje o feijão não ficará bom.
A minha vida apresentou-se toda na minha frente
Em forma de mil pedaços.
Tantos grãos inseparáveis,
Que precisavam ser analisados um a um.
Tentei ver em cada um daqueles pedacinhos
Uma nova possibilidade,
Analisava com cuidado e atenção,
Mas cada grão que eu puxava em minha direção
Trazia inevitavelmente um pouco de você.
Difícil separar passado e presente,
Impossível selecionar a memória.
Saudade.
De repente ouço:
- Filha, acorda, preciso ainda hoje do feijão!
Sim, meu amor também existe nos feijões.
E então o entreguei para que minha mãe cuidasse.
Logo mais ele será servido a pessoas,
Que por mais que me amem,
Irão mastigá-lo todo, sem sequer pensar no que estão ingerindo.
É sempre assim.
O amor nunca é devidamente apreciado.
O meu também não.
Sei que a minha melancolia estará no cardápio de hoje,
E ninguém sabe.
Tempero mais forte que o sal,
Salgado em lágrimas.
Uma lágrima.
E acabei esquecendo-me de avisar minha mãe
Que independente do que ela faça
Hoje o feijão não ficará bom.
Malbec
Noite, solidão familiar
E essa bebida seca com gosto suave de sangue
Embriagando-me pelas minhas confusas veias.
Minhas faces quentes e coradas,
Feito cicatrizes marcadas pelo porre de saber
Que do amor serei sempre uma escrava.
Mesa teimosamente muda,
E meus bêbados cílios por segundos dormem
Para que eu possa te desejar nos meus sonhos.
Olhos abertos, mar sem fim.
Engulo então minha melancolia,
Bebo em silêncio mais uma taça
E deixo que as lágrimas do vinho chorem por mim...
E essa bebida seca com gosto suave de sangue
Embriagando-me pelas minhas confusas veias.
Minhas faces quentes e coradas,
Feito cicatrizes marcadas pelo porre de saber
Que do amor serei sempre uma escrava.
Mesa teimosamente muda,
E meus bêbados cílios por segundos dormem
Para que eu possa te desejar nos meus sonhos.
Olhos abertos, mar sem fim.
Engulo então minha melancolia,
Bebo em silêncio mais uma taça
E deixo que as lágrimas do vinho chorem por mim...
Covardia
E mais uma vez você me cala
Com esses seus versos roubados
Que nunca terminam no ponto final.
Com esses seus versos roubados
Que nunca terminam no ponto final.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
21 de junho
Frio
O mesmo gelo covarde em todas as partes do meu corpo
E pra mim que pensava que um dia nada fosse mudar
Inverno
Sinto agora uma vontade inexplicável de apenas queimar
Queimar o que um dia já foi e me queimar no que ainda virá
Fogo
Correndo quente pelas veias nas quais me perco tanto
Meu coração ainda é um mundo de incertezas e desenganos
O mesmo gelo covarde em todas as partes do meu corpo
E pra mim que pensava que um dia nada fosse mudar
Inverno
Sinto agora uma vontade inexplicável de apenas queimar
Queimar o que um dia já foi e me queimar no que ainda virá
Fogo
Correndo quente pelas veias nas quais me perco tanto
Meu coração ainda é um mundo de incertezas e desenganos
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O eclipse sou eu
Carros passando,
Pessoas indo e vindo,
Vidas tão comuns.
Ninguém viu o que estava ali.
Ninguém sabia o que acontecia aqui.
Mas eis que ela veio brincar
De ir e vir, de aparecer-sumir.
Sorriu lindamente, voltou
E novamente bagunçou tudo dentro de mim.
Quem subia o morro atrasado não viu,
Quem descia apressado também não.
Também, ninguém poderia notar
O que houve entre ela e eu,
Nem sequer suspeitar
O que sempre existiu entre eu e ela.
Entre as luzes da cidade, seus barulhos e suas pessoas,
O nosso silêncio, o nosso breu.
Muitos perderam o que houve com ela naquela hora,
O mundo nem imagina o que comigo aconteceu.
Mas ela pode,
Ela é a lua.
E eu?
Pessoas indo e vindo,
Vidas tão comuns.
Ninguém viu o que estava ali.
Ninguém sabia o que acontecia aqui.
Mas eis que ela veio brincar
De ir e vir, de aparecer-sumir.
Sorriu lindamente, voltou
E novamente bagunçou tudo dentro de mim.
Quem subia o morro atrasado não viu,
Quem descia apressado também não.
Também, ninguém poderia notar
O que houve entre ela e eu,
Nem sequer suspeitar
O que sempre existiu entre eu e ela.
Entre as luzes da cidade, seus barulhos e suas pessoas,
O nosso silêncio, o nosso breu.
Muitos perderam o que houve com ela naquela hora,
O mundo nem imagina o que comigo aconteceu.
Mas ela pode,
Ela é a lua.
E eu?
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Tatuagem de Areia
Esse tom de areia por todo o meu corpo
E tua pele ainda nele tatuada
Como uma maré que nunca baixa
Uma ressaca de tantas lágrimas
Tantas ondas pesadas de calor
E uma queimadura que ficou tão salgada
Frias gotas que não deveriam molhar mais nada
Mas basta em pensamento nadar
Que me afogo outra vez nessa tua vida
E em nenhuma outra água desejo mergulhar.
E tua pele ainda nele tatuada
Como uma maré que nunca baixa
Uma ressaca de tantas lágrimas
Tantas ondas pesadas de calor
E uma queimadura que ficou tão salgada
Frias gotas que não deveriam molhar mais nada
Mas basta em pensamento nadar
Que me afogo outra vez nessa tua vida
E em nenhuma outra água desejo mergulhar.
Lua Nova
Nua
Sou lua
Sou tua...
Tatua minha pele no teu corpo essa noite
Mas amanhã deixa outra mulher machucar
Todas as cicatrizes que eu te deixar
Pra você sou lua nova:
Estou sempre,
Sem estar.
Sou lua
Sou tua...
Tatua minha pele no teu corpo essa noite
Mas amanhã deixa outra mulher machucar
Todas as cicatrizes que eu te deixar
Pra você sou lua nova:
Estou sempre,
Sem estar.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Libertações
A minha melancolia é sempre a última a se embriagar.
Sempre há uma dose afim de mim.
Cada gota de cada coisa torna-se necessária
Quando não existe mais o que se engolir.
A minha ansiedade é sempre a última a se deitar.
Sonho sempre com os olhos clareados de dor,
E vivo insonemente pensamentos virtuais,
Querendo adormecer o que nunca acordou.
A minha poesia é sempre a primeira a me machucar.
No entanto a carrego com carinho nos braços
Como uma cruz que não tem peso
E ainda assim tem o poder de libertar.
Sempre há uma dose afim de mim.
Cada gota de cada coisa torna-se necessária
Quando não existe mais o que se engolir.
A minha ansiedade é sempre a última a se deitar.
Sonho sempre com os olhos clareados de dor,
E vivo insonemente pensamentos virtuais,
Querendo adormecer o que nunca acordou.
A minha poesia é sempre a primeira a me machucar.
No entanto a carrego com carinho nos braços
Como uma cruz que não tem peso
E ainda assim tem o poder de libertar.
sábado, 30 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Cinema mudo
Enquanto ela escrevia
Algum vizinho fazia pipocas
E outro ouvia um blues.
O cheiro da margarina
E o som daquele sax
Lembraram-lhe cinema.
Caneta solta. Viagem.
Quando ela voltou
Só um suspiro no papel.
Desistiu então de escrever.
Filmes podem ter finais felizes,
Sua poesia não.
Algum vizinho fazia pipocas
E outro ouvia um blues.
O cheiro da margarina
E o som daquele sax
Lembraram-lhe cinema.
Caneta solta. Viagem.
Quando ela voltou
Só um suspiro no papel.
Desistiu então de escrever.
Filmes podem ter finais felizes,
Sua poesia não.
Bicho solto
Vai menina, solta esses cabelos
E deixa-os sentir o vento que dobra ali na esquina.
Caia no abismo que é o mundo lá de baixo
E permita-se voar. Sinta!
A tua beleza é tão mais linda arredia.
O amor tem mesmo dessas coisas, eu sei.
Machuca e cura. Nunca cicatriza.
Mas por favor, não desista!
Nenhuma mulher passa a vida contente
Na sua pequena gaiola de menina.
E deixa-os sentir o vento que dobra ali na esquina.
Caia no abismo que é o mundo lá de baixo
E permita-se voar. Sinta!
A tua beleza é tão mais linda arredia.
O amor tem mesmo dessas coisas, eu sei.
Machuca e cura. Nunca cicatriza.
Mas por favor, não desista!
Nenhuma mulher passa a vida contente
Na sua pequena gaiola de menina.
Reticências
Se foi o fim,
Se tinha que ser assim,
Eu ainda não entendi.
Na verdade nem deu pra sentir.
A tua presença foi tão passageira...
Como aquele primeiro amanhecer,
Interrompido às secas.
Silêncio tão imenso de um simples abraço
E duas vozes que não sabiam o que dizer.
Não era necessário.
Bastou aquele frio momento,
Aquele tempo sutilmente acabado,
Pra que um outro dia existisse
E eu voltasse para os teus braços.
Tantos dias amanheceram pra nós...
Mas agora você se foi novamente
E eu ainda não sei se outro dia nascerá.
O frio está voltando, devagar.
Estou aqui confusa, congelando,
Por não saber se anoiteço em outro cobertor
Ou se ainda espero pelo calor daquelas manhãs...
Se tinha que ser assim,
Eu ainda não entendi.
Na verdade nem deu pra sentir.
A tua presença foi tão passageira...
Como aquele primeiro amanhecer,
Interrompido às secas.
Silêncio tão imenso de um simples abraço
E duas vozes que não sabiam o que dizer.
Não era necessário.
Bastou aquele frio momento,
Aquele tempo sutilmente acabado,
Pra que um outro dia existisse
E eu voltasse para os teus braços.
Tantos dias amanheceram pra nós...
Mas agora você se foi novamente
E eu ainda não sei se outro dia nascerá.
O frio está voltando, devagar.
Estou aqui confusa, congelando,
Por não saber se anoiteço em outro cobertor
Ou se ainda espero pelo calor daquelas manhãs...
terça-feira, 26 de abril de 2011
A Resposta
Amor é o que a gente quiser deixar ser
E, algumas vezes, até mesmo
Aquilo que a gente nunca permitiu que fosse.
E, algumas vezes, até mesmo
Aquilo que a gente nunca permitiu que fosse.
domingo, 24 de abril de 2011
Silêncio inafiançável
Há um quê de romantismo na maldade.
Mas houve tanta maldade no nosso romance
Que ele se tornou imperdoável.
E você pecou por tantos passos não dados,
Abraços cortantemente embaraçados
E por palavras que pareciam impossíveis.
Pecou pelas mentiras friamente repetidas,
E aquele sentimento calculadamente inventado.
Pecou pela distância dos nossos lábios.
Agora ficou o avesso de tudo o que já foi
E o que há em mim de mais apagado.
Apenas aquele silêncio nos meus olhos,
Minha indiferença pelo seu crime inafiançável.
Você deveria ao menos ter me amado
Na medida exata do quanto me magoou.
Pecar pelo excesso é menos incoerente.
Pecar por amor é ao menos perdoável.
Mas houve tanta maldade no nosso romance
Que ele se tornou imperdoável.
E você pecou por tantos passos não dados,
Abraços cortantemente embaraçados
E por palavras que pareciam impossíveis.
Pecou pelas mentiras friamente repetidas,
E aquele sentimento calculadamente inventado.
Pecou pela distância dos nossos lábios.
Agora ficou o avesso de tudo o que já foi
E o que há em mim de mais apagado.
Apenas aquele silêncio nos meus olhos,
Minha indiferença pelo seu crime inafiançável.
Você deveria ao menos ter me amado
Na medida exata do quanto me magoou.
Pecar pelo excesso é menos incoerente.
Pecar por amor é ao menos perdoável.
sábado, 23 de abril de 2011
A doçura do Sal
Cansada dessa vida de vale nada,
De momentos intermináveis de faz-de-conta,
Com personagens tão bem desenhados
E sem movimento, sem vida, sem sangue.
De que isso vale? Nada.
O seu sorriso ensaiado e as suas respostas gravadas
Não arrancam mais aquele encanto dos meus olhos,
E eles agora riem de, e não mais para você,
E do seu pobre espetáculo, abandonado,
Solitário palhaço.
Quero o vermelho mesmo que com dor
Frente a esse verde-esperançoso sem cor alguma.
Quero um artista errado, sem estética montada
Que me apresente a vida, todos os dias, irregrada
E da maneira mais bem-humorada e humana.
Quero a vida antes no sentir do que no saber.
Quem sabe assim os dias me aplaudam
Sentindo no cheiro do sal e no gosto da flor
A doçura de me saber viva e destemida.
O conhecimento nunca traz alegria.
De momentos intermináveis de faz-de-conta,
Com personagens tão bem desenhados
E sem movimento, sem vida, sem sangue.
De que isso vale? Nada.
O seu sorriso ensaiado e as suas respostas gravadas
Não arrancam mais aquele encanto dos meus olhos,
E eles agora riem de, e não mais para você,
E do seu pobre espetáculo, abandonado,
Solitário palhaço.
Quero o vermelho mesmo que com dor
Frente a esse verde-esperançoso sem cor alguma.
Quero um artista errado, sem estética montada
Que me apresente a vida, todos os dias, irregrada
E da maneira mais bem-humorada e humana.
Quero a vida antes no sentir do que no saber.
Quem sabe assim os dias me aplaudam
Sentindo no cheiro do sal e no gosto da flor
A doçura de me saber viva e destemida.
O conhecimento nunca traz alegria.
domingo, 17 de abril de 2011
Provérbio errado
Pra que namorado?
Se tenho nos meus retratos
As mais amigas companhias
E os mais felizes momentos registrados...
Pra que namorado?
Se todo amor termina mesmo em lágrima
E o choro já é um companheiro permanente,
Melhor ter cada dia alguém diferente ao meu lado.
Pra que namorado?
Talvez seja pra justificar os nossos pecados.
Mas eu desobediente ainda desconfio da minha vó
E sigo sozinha, mesmo quando posso ser bem acompanhada.
Se tenho nos meus retratos
As mais amigas companhias
E os mais felizes momentos registrados...
Pra que namorado?
Se todo amor termina mesmo em lágrima
E o choro já é um companheiro permanente,
Melhor ter cada dia alguém diferente ao meu lado.
Pra que namorado?
Talvez seja pra justificar os nossos pecados.
Mas eu desobediente ainda desconfio da minha vó
E sigo sozinha, mesmo quando posso ser bem acompanhada.
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