sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ah, amiga minha

Minha saudade
Minha sobriedade
Meus dias ruins
Agora também seus...
Sua presença
Suas dores
Seus amores
Agora não mais meus...

Mas que coisa é essa, amiga
Que não sai aqui de mim
E que se alegra só de te saber assim
Com esse sorriso no rosto
Esse andar sempre jocoso
E essa velha mania de viver
Viver assim...

Que pra quem só se verá de partida
As vidas sejam mais que lindas
E nossas histórias repetidas
Ao longo dos caminhos adotados
Do vento e dos calendários.

E que o carinho que nos uniu
Seja leve e voe alto
Pra nos alcançar em outros lados
De novas companhias e novos retratos
Ladeando sempre por momentos afins...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Responda

E quando eu resolver dançar com outro par
E esse seu tênis novo não me acompanhar?

A falta

A falta dessa minha janela
Será uma falta não apenas dela
Mas de todo céu que faltará
E de toda visita lunar
E do raiar de cada insônia
E de toda gente que passa,
Descendo chorando,
Subindo com graça.
E dos seus olhos de cachaça
Buscando nela a luz que te falta.

VagalumeMente

Vagalume vagou no meu quarto.
Vaga estava a minha noite,
Vagando no meu peito vagas
Vulneráveis a amores vazios,
Vendo se minha vida iluminava.

Nova interrogação

E se não bastasse mais que um olhar
De uma fixação tão sem por que
Para em lágrimas póstumas
Achar então o que não se podia ver
Apresentado em olhos de tanta saudade
De uma saudade doída do que nem se sabia ter
Contraventor,
mas amor...
E se?

Castigo

Silenciosamente é maior.
O grito, apesar de dito,
Não diz tanto a um ouvido
Que já espera ser punido.

A espera

O corpo tremendo
O peito aquecido
Uma desordem na casa
A ansiedade de um sino
E essa angústia com data marcada.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Inconstância

Essa falta de certeza
Esse jogo por debaixo da mesa
Lembranças incoerentes
E o cansaço que de repente chega
De trocar tanto as fotos do meu quarto
Num indo e vindo insuportável de quereres
E mesmo ainda gostando
Saber que é preciso tirar algumas de vez
Num aprendizado amargamente atrasado
Pois até as fotos envelhecem e entendem
Que algumas lembranças precisam ser renovadas...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Interrogação

Como pedir ao corpo que ele durma
Quando tantos pensamentos líricos mandam na gente
E o bobo do coração é o mais obediente?
Como?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Embriagante busca

Unhas vermelhas tocam o teclado do meu celular
Não sei por que essas mãos bêbadas insistem em te procurar
Se elas já sabem que te tocar é perigoso
E que as marcas que ficam no final desse jogo
Vão sempre muito além das que ficam nas tuas costas

São fraturas secretamente expostas
Expondo a dor de um amor que queria amar e não amou
Porque amar se fez impossível
E agora nos convence apenas do gosto infinito
Da partida sentimental que juntos não soubemos jogar

domingo, 7 de novembro de 2010

Coincidência?

Madrugada, música, bebida e um beijo roubado
Depois um novo encontro em uma noite qualquer
Belos momentos cumprimentaram um novo dia
E tudo o que poderia ter sido a partir daí
Foi perdido por um outro copo qualquer de bebida,
Por músicas novamente vazias
E pelo erro inocente de terminar a noite
Beijando uma boca que ao seu lado vivia

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Nossa conversa

A noite corre para que o tempo chegue logo.
Para que o nosso tempo chegue.
Chegará? Ou nunca mais?
Nunca mais saia de mim,
nem me liberte dos seus abraços,
se no seu peito o meu nome ainda pulsar.
Mas se pra você ele já for mudo,
então diga logo e vá depressa,
pois ele ainda pode em um outro corpo cantar.
Chega de mentira, de fingir sentir.
Não me queira mais se não puder possuir.
Eu já lhe disse tudo que minha dor podia querer,
então se decida, não me crie novas dores.
Deixe-me então lhe esquecer.
E, entenda de uma vez, meu menino,
ter que pensar no que lhe dizer
também é pensar em você...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Inquietude

Pesadelos em noites de insônia.
Madrugadas iluminadas só pra quem passa pela minha janela.
Já não há poesia o bastante pra me acompanhar,
nem respostas esperadas capazes de acalmar.
E o vento continua invisivelmente embriagante.
Silêncio.
E quando não for mais o bastante,
ainda haverá aquela velha varanda,
onde sol e lua também se amam em desencontro,
e aquela mesma pequena rede,
de onde sempre se é possível sonhar mais...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu dividida

Queria não sentir
Mais nada
Mas nada é muito

Muito pouco

Quero sempre tudo
O que posso
Não posso nada

Sinto muito

A vida toda
Parece nada
E dói tudo

Tudo e nada

Conversa besta

- O nada basta.
- Basta nada!
- É, nada me basta...

domingo, 15 de agosto de 2010

Mês Oito

Agosto, congelante,
e eu ainda me derreto ao seu gosto.
O frio de fora protesta o calor aqui dentro
e eu aprecio sozinha a cortante melodia do vento.

Aguardo friamente por mais um desgosto,
um gosto amargo, um corte...
Um recorte no meu tempo,
no tempo que eu sei que precisa ser apagado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Silêncio terapêutico

E todas aquelas palavras
que sempre falam por mim,
tão impulsivamente, intensamente...
Que me atravessam, me doam,
me apresentam e me confessam.
Que entregam a minha essência,
aí então já nada particular...

Todas aquelas palavras
que sempre me fizeram
e me fazem, enfim,
existir,
e ME ser...

... agora estranhamente faltam aos lábios,
e simplesmente se calam,
pra apenas uma dor morrer.

Coração de Pedra?

Ah, se esse frio lá de fora pudesse congelar o coração aqui dentro...

(Des)ligada em você

O inacabado me impede de fechar os olhos...
E não ligo, só quero estar off.
Meu corpo já se cansou.
Meu coração está cansado.
Eu cansei.
Cansei de não me cansar de você.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Memória

Escrevi o seu nome e queimei.
Mas o meu nome ainda te lembra.
É chegar a estação das flores
e nasce novamente aquele teu poema,
em que a primavera é sempre primeira.
O fogo aí não encontra folhas secas,
como então queimar minhas próprias letras?
Pequena sílaba maldita.
Chamaria-me então Scila,
mataria assim um pedaço de mim
e uma parte de ti em mim.
Mas não mataria a primavera,
que nunca precisará de um alfabeto pra existir.